Cyberbullying

A morte de doze crianças na escola municipal Tasso da Silveira, na zona oeste do Rio de Janeiro, abalou o país em abril. Cartas deixadas pelo assassino e depoimentos de ex-colegas de classes e familiares alegaram que Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, sofria de bullyng – atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo. O australiano Casey Heynes também ficou popular ao ter um vídeo seu divulgado no YouTube após sofrer e revidar bullyng de outro garoto neste ano.

E se você pensa que é só na escola ou com os amigos que você pode ser vítima dessa prática, está muito enganado. O cyberbullyng, que nada mais é do que humilhar, ridicularizar e ameaçar alguém pela web, é mais comum do que podemos imaginar. Por se multiplicar de maneira inimaginável, as ofensas feitas virtualmente preocupam pais, professores e autoridades.

“O anonimato da internet dá ao agressor uma capa, como se ele pudesse se esconder. O agredido acredita que tem aquelas características e a ‘brincadeira’ acaba se tornando algo ruim, que pode permear a vida dele para o resto da vida”, explica a psicóloga Andréa Jotta, do Núcleo de Pesquisas da Psicologia da Informática (NPPI) – PUC-SP.

De acordo com pesquisa da ONG Plan, com 5 mil estudantes brasileiros de 10 a 14 anos, 17% deles já foram vítimas de cyberbullyng no mínimo uma vez: 13% insultados pelo celular e 87% por textos e imagens enviados por e-mail ou via sites de relacionamento.

Um estudo da SaferNet revela ainda que a prática da intimidação virtual representa um dos maiores riscos da internet para 16% dos jovens brasileiros conectados à rede.

O caso da jovem Megan Meier, que se suicidou nos Estados Unidos, em 2006, aos 13 anos, é um exemplo claro dessa realidade. Lori Drew, de 49 anos, criou um perfil falso na rede social MySpace se passando por um jovem de 16 anos para humilhar Megan, que teria espalhado boatos sobre sua filha. Ambas eram vizinhas e frequentavam a mesma escola em St. Louis, no Estado do Missouri. Megan tinha histórico de depressão e passou a trocar mensagens com o “rapaz”, que dizia ter acabado de se mudar para o mesmo bairro. Meses depois, o falso jovem rompeu a amizade virtual com a garota, em uma mensagem que dizia que “o mundo ficaria melhor sem ela”. Em seguida, a jovem se enforcou.

Os psicólogos e especialistas das áreas sociais e educacionais são unanimes em dizer que hoje já não se pode separar o real do virtual. O cyberbullying é uma prova de que nossos instintos mais agressivos invadem as tecnologias e trazem cada vez mais transtornos para nosso mundo real.

Ser humilhado, ridicularizado, xingado, ter sua vida exposta de forma trágica diante de milhões de pessoas está cada vez mais comum. Mas quais são as formas de cyberbullying? Em que situações ele acontece?

Formas de cyberbullying:

– Exclusão: grupos se unem na internet para excluir um internauta, é muito comum em salas de bate-papo (Chats)

– Flaming (chama): é aquela famosa troca de ofensas na rede, com mensagens curtas e respostas violentas a discussão se transforma numa guerra de xingamentos (Flame War).

– Happy Slapping (bater por diversão): é o bullying transformado em cyberbullying, ou seja, jovens agridem de forma física ou verbal outro jovem, filmam e depois postam na rede. É comum também entra gangues de adolescentes marcarem suas brigas e postarem na internet como forma de dominação e poder sobre outro grupo.

– Cyberstalking: A pessoa cria perfis nas redes sociais para seguir uma vítima e importuná-la com difamações, ameaças e falsas acusações.

– Harassment (assédio): É o mais comum, onde o agressor molesta virtualmente a outra pessoa com vários tipos de mensagens. Estas mensagens podem ser ofensivas, eróticas e enganadoras. Os casos de pedofilia na internet começam por este tipo de cyberbullying.

Saiba como se proteger do cyberbullying

“Faça um filtro antes de aceitar alguém como ‘amigo’, verifique o perfil desta pessoa, pesquise sobre ela, veja o tipo de conversa desta pessoa na rede, e o mais importante, compartilhe fotos e coisas pessoais, como endereço e rotina, apenas com seus verdadeiros amigos”. É o que diz Paulo Moraes, profissional na área de Social Mídia, analista de novas tecnologias e palestrante.

É certo que muitos de nós jovens agimos muito por empolgação ao criar uma conta em uma rede social e compartilhar da nossa intimidade na rede, mas calma aí, expor a vida assim na web pode lá ter as suas consequências. “Assim como você não deixa um desconhecido entrar na sua casa, você deveria tomar o mesmo cuidado na internet” diz a psicóloga do Núcleo de Pesquisas da Informática (NPPI) da PUC-SP Andréa Jotta.

O cyberbullyng é uma “brincadeira” criminosa e que em alguns casos no mundo acabaram em suicídio. Abaixo listamos alguns cuidados que você deve ter nos relacionamentos pela net.

Jamais informe o seu nome de usuário e senha.

Não forneça dados da sua intimidade ou da sua rotina a nenhum usuário estranho.

A maioria das redes sociais e chats possuem a tecla “bloquear” ou “excluir”, não tenha medo de usá-las quando for ofendido ou molestado por estranhos.

Não responder as ofensas, isso gera uma guerra na rede e não se sabe onde vai parar.

Se necessário abra uma nova conta.

No caso de adolescente, se sofreu algum tipo de cyberbullyng, não hesite em contar para um adulto.

Se sofreu o cyberbullyng não apague as mensagens imediatamente, se possível de um pint screen (cópia da tela), e guarde como prova.

Se as ofensas passarem para a esfera das ameaças, ou se for menor de idade e sofrer assédio sexual de adultos, não hesite em procurar a polícia (delegacia de crimes virtuais).

No caso dos pais, é preciso ficar muito atendo às atitudes dos adolescentes e estimulá-los a falar sobre a situação.

No caso do cyberbullyng é preciso antes ajudar quem sofreu a agressão do que punir o agressor.

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