Crianças na internet, riscos e desafios…

O uso da internet se popularizou a partir dos anos 2000. Atualmente, tanto para os mais velhos como para a geração dos “nativos digitais”, é difícil imaginar como seria o dia a dia se não pudéssemos usufruir dessa ferramenta tão útil para todos os momentos.

Os avanços tecnológicos trouxeram novos comportamentos sociais. Hoje, por exemplo, é comum vermos crianças abaixo dos 5 anos de idade utilizarem smartphones ou tablets com desenvoltura. Os adultos naturalizam o uso dessas ferramentas e, muitas vezes, compartilham esse hábito com seus filhos, se esquecendo dos ricos que a internet pode proporcionar para as crianças.

Especialistas alertam que o consumo desmedido da internet sem um controle parental pode trazer consequências nocivas aos menores. Muitas são as notícias que relatam casos de aliciamento, pedofilia, assédio e constrangimentos que envolvem crianças e adolescentes no universo online. É na tentativa de diminuir tais riscos que pesquisadores dedicam o seu tempo em busca de caminhos para proteger as crianças, propondo soluções para esse problema que é tão urgente na nossa sociedade.

Eliane Blaszkowski Champaoski é uma dessas pesquisadoras e, no dia 21 de março, defendeu sua dissertação com o título “Interações da criança com as mídias digitais: um guia acerca dos limites e possibilidades”, no Mestrado em Educação e Novas Tecnologias da Uninter. Para entender como ocorre o acesso à internet pelas crianças, verificar o quanto os pais mediam esse acesso para possibilitar um consumo que promova o conhecimento e a interação saudável, Eliane desenvolveu, em formato de revista, o “Guia Para Pais, Interações da criança com as mídias digitais: um guia acerca dos limites e possibilidades”.

Segundo Eliane, o guia tem uma leitura didática e rápida, que aborda as possibilidades e os limites para o uso seguro das mídias digitais pela criança. Nele, o leitor encontra citações de especialistas, música, poesia, charge, história em quadrinhos, dados da pesquisa, legislação, reflexões e dicas para o exercício do fortalecimento das relações e dos vínculos afetivos. Um dos principais objetivos do guia é promover uma mudança de atitude dos pais com relação aos seus filhos, tornando-os mais atentos e sensíveis às necessidades da criança e ao seu desenvolvimento.

“Elaborei cinco indicadores para o uso seguro das mídias digitais pela criança, sendo eles: o protagonismo infantil, o exercício da afetividade, o diálogo, o acompanhamento e controle parental e as orientações acerca dos limites e possibilidades. Os indicadores favorecem o uso seguro das mídias, garantindo proteção, cuidado, respeito e valorizando as diferentes dimensões humanas”.

Segundo a pesquisadora, o afastamento dos pais é um dos fatores que contribui para a criança ficar mais vulnerável aos riscos da internet. “Cabe salientar que o adulto é a referência para a criança, sendo o responsável pela mediação do uso seguro das mídias digitais. O uso excessivo e desmedido dessas mídias emerge em ausência ou afastamento da família”, afirma Eliane.

Ainda de acordo com a pesquisadora, as crianças não devem ter acesso à internet sem um mediador adulto e responsável que as monitore. A criança não tem maturidade para lidar com situações inadequadas a sua idade e mesmo que isso implique na falta de privacidade do menor, o direito à proteção, segurança, saúde e educação deve se sobrepor sempre.

“Muitas vezes os pais e os responsáveis pelas crianças oferecem as mídias digitais desde a mais tenra idade, utilizando-as como recursos para acalmar a criança ou entreter, o que pode ser considerado inclusive como negligência, visto que pode oferecer riscos e danos à saúde, segurança e educação”, enfatiza a pesquisadora.

Entre esses danos estão o déficit de atenção; habilidades sociais, psicológicas e emocionais alteradas; alterações no sono; baixo rendimento escolar; desenvolvimento de vícios, doenças e patologias; comprometimento da segurança e da privacidade; entre outros.

Outro dado interessante revelado pela pesquisa aponta que crianças entre 8 e 12 anos de idade são as que mais se encontram em situação de risco, por fazerem uso excessivo das mídias digitais. Nessa faixa etária, 54% dos pais acompanham eventualmente seus filhos nos momentos de acesso e 16% nunca acompanham.

Ao ser perguntada sobre os seus projetos para o futuro, Eliane conta que pretende buscar parcerias para disseminar seu material informativo e também aprofundar os estudos na área, caminhando assim para um doutorado.

“O ambiente escolar é um campo fecundo que apresenta grande potencial de pesquisa acerca do tema, portanto, destaca-se como um próximo momento de estudo e pesquisa para aprofundamento, análises e considerações, o que pode vir a ser consolidado no doutorado, um sonho meu enquanto educadora e pesquisadora na área da educação”, conclui a nova mestre.

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